| Através da parede de tijolos... (Foto de Christian Machado) |
Visitava a obra de sua casa. Vistoriava o cômodo que acabara de ser erguido, ainda sem iluminação, a cata de possíveis faltas do pedreiro, preocupada com o material por comprar, o prazo que se estendia, a chuva que impedia o trabalho, o orçamento estourado, a criança que chorava ao seu lado e sabe-se mais o que lhe ocupava a mente. De repente, alheia a tudo, viu uma fresta na parede, um buraco no tijolo. A paisagem exuberante lembrou-a da beleza do lugar. Não era preciso esperar pelo término da construção para usufruir dos bons momentos que o lugar poderia lhe propiciar. Eles já aconteciam ali. E, agora, inundavam o cômodo (e aquele seu momento de vida) por aquela fresta que o seu olhar encontrara. Filho chorando, orçamento apertado, falta de tempo: tudo isso era secundário diante da natureza que se impunha, enchendo-a de paz. Aquele já era um lar!
Esta imagem foi um presente, oferecido por uma coachee em um dos nossos encontros. Uma parede de tijolos pode ser bem mais do que parece. Buscar novos olhares é um exercício constante. Só eles produzem as atitudes que resultarão naquele algo mais que todos buscamos. Analisar momentos de vida, perdas e ganhos, conflitos e conquistas sob novas perspectivas é um desafio e exige treinamento contínuo. O bom é que os resultados são imediatos. Quando conseguimos deixar de lado os sentimentos e os pensamentos que os produzem (metaforicamente, nossa parede de tijolos), já obtemos um novo olhar sobre qualquer questão. O movimento é simples, mas obstruído pelas ideias e crenças que trazemos conosco. Quanto mais dispostos a abrir mão dos nossos pressupostos, mais fácil fica olhar por novos ângulos.
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